segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

As responsabilidades funcionais e a nobreza dos juristas.

Logo após o acidente que vitimou o Ministro Teori postei uma crítica às teorias da conspiração que corriam soltas nas redes sociais. Usando uma expressão muito divulgada na época do impeachment de Dilma Rousseff, o “conjunto da obra”, isto é, o conjunto de circunstâncias mostrava levava-nos a conclusão de um acidente aeronáutico. Mas isto é trabalho dos peritos em acidentes aeronáuticos do Comando da Aeronáutica.

O que eu gostaria de comentar e com todo o respeito de devemos ao Ministro Teori, esta sua viagem para Parati, local com condições atmosféricas complicadas e perigosas para aeronaves de pequeno porte, faltou-lhe um pouco de senso de responsabilidade. Não só dele, mas também e principalmente para o seu amigo, proprietário da aeronave. O Ministro era responsável por um processo que envolve a vida de milhares de pessoas que dependem das empresas envolvidas nos processo de corrupção em análise e também das questões que levaram o Brasil às crises econômica e política pelas quais passamos. Da mesma forma, o empresário proprietário da aeronave e amigo do Ministro, pelas notícias que tomamos conhecimento, tocava os seus negócios com mão forte e a sua empresa por uns tempos ficará acéfala. A sua morte afetará a empresa e aos seus funcionários.

Atendo-me à administração pública, os funcionários com alta carga de responsabilidades deveria sofrer restrições  de locomoção e as responsabilidades deveriam ser compartilhadas.

Pelo que lemos na imprensa, a Ministra Carmem Lúcia deverá assumir as responsabilidades deixadas pelo Ministro Teori, mas não a memória do processo, pois esta morreu com ele. A memória, a que me refiro, são os nexos entre um fato e outro.

Sem querer comprar briga com os meus amigos da área jurídica. Um mundo essencialmente ritualizado. O tratamento de doutor provoca um distanciamento social entre a população desta área e as pessoas comuns. O título de tratamento transforma-se num prenome como se fosse um título nobiliárquico. Este sentimento de nobreza dificulta mudanças porque o rito se torna razão de ser. E por fim, não devemos nos esquecer que os nobres também são mortais.


Enquanto se discute teorias de conspiração, o busílis do problema fica de fora.  

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