sexta-feira, 10 de novembro de 2017

A maquete da capelinha do Cemitério de Morretes

Zelinda, como nós somos da mesma idade (você chegou por aqui quatro meses antes de mim. Desculpe-me pela xeretice!  Rs) de por isto deveremos ter lembranças próximas, mas quem viveu em Morretes deverá ter algumas lembranças particulares, talvez a mais de quem viveu em Curitiba. E vice versa. Como vou falar de Morretes...
Seu Nhô Beco (Adalberto Vila Nova) era casado com dona Maricota Malucelli e tinha uma padaria na “pracinha do paredão”. Ninguém sabia que se chamava Lamenha Lins. Alguns imaginavam chamar Silveira Neto em razão do monumento em homenagem a este escritor e poeta conterrâneo. A padaria de Nhô Beco era ao lado da sua residência, defronte ao monumento. O “caixeiro” era o Rufino. Para passar o tempo começou a pintar quadro. Morretes tem tradição pelos muitos pintores, escultores, poetas. Eric os tem enumerado. Rufino pintava a maioria dos seus quadros de dentro do balcão e ele mostrava isto nos quadro, pois em grande parte deles apareciam as portas pelo lado de dentro.
A partir de um momento ele começou a esculpir, ou melhor, entalhar madeiras e fazer maquetes. Ele não tinha ferramentas adequadas; utilizava uma faquinha que os sapateiros usavam para dar formas ao couro em seus trabalhos de conserto.
O seu trabalho de maior visibilidade foi a maquete da Igreja Matriz que foi o modelo para a capelinha para o Padre Saviniano no Cemitério.


quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Cinco hipócritas de 2009

Eu publiquei este texto em 02/06/2010. Já havia publicado antes. Não me lembro onde


Comentei num texto anterior os conceitos petistas de estadista e de soberania. Comentava que apesar de os blogs petistas alardearem as características de Lula como estadista, eu nunca achei que ele fosse. Mas como corria dinheiro e os blogueiros eram bem pagos, “vendia-se” esta imagem de Lula. Mas a imprensa internacional já comentava a sua hipocrisia política, confirmada pela operação Lava Jato e outros processos de Lula é alvo

No dia 20/12/2009 o jornal El País, da Espanha, publicou uma matéria enumerando os cinco hipócritas de 2009. O Presidente Lula da Silva foi um deles. E o autor da matéria enumera as contradições que lhe deram este “título”.

 Transcrevo, abaixo, parte desta matéria. Quem desejar ler a matéria original encontrará o em https://elpais.com/diario/2009/12/20/internacional/1261263607_850215.html

Moisés Naím

Cinco hipócritas de 2009

Moisés Naím 20/12/2009

Rever algumas das mais flagrantes hipocrisias dos poderosos do mundo é instrutivo. Revela as tendências globais, as contradições e as vulnerabilidades das elites da moda. É por isso que eu decidi oferecer a minha lista muito pessoal e subjetiva de algumas dos grandes hipócritas de 2009.

1. Banqueiros.
2. Tony Blair.
3. Os homens líder do Partido Republicano.
4. Os juízes britânicos que emitiu o mandado de Tzipi Livni.
5. Lula da Silva. 

O Presidente do Brasil declarou que Hugo Chávez é o melhor presidente da Venezuela dos últimos 100 anos. Nunca ouvimos Lula falar das condutas autoritárias do seu amigo venezuelano, mas temos visto atacar furiosamente as recentes eleições em Honduras. E na mesma semana recebeu Mahmoud Ahmadinejad com todas as honras, cuja vitória eleitoral também é questionada. O que tiveram as eleições no Irã que as de Honduras? Tiveram uma enorme fraude, morte, tortura e brutal repressão ordenada pelo governo de Ahmadinejad. O afável líder brasileiro parece não haver tomado conhecimento.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Discussões ideológicas e mundo real

Tenho ouvido e assistido muitas discussões de caráter ideológico, distanciadas do mundo real. Têm-se discutidas expressões como ideologia de gênero, homonormalidade e outras como realidades, mas que se elas se tornarem realidades poderão causar muitos desastres. Lembro-me do Khmer vermelho cambojano. Algo semelhante poderá acontecer na Venezuela.
Estas discussões ideológicas, desprezando aspectos biológicos necessariamente levarão a um processo de desorganização.  
A minha formação profissional vem da Etnologia cujas pesquisas de campo foram diretas a pequenos grupos sociais.
Há uns 10 anos eu fui surpreendido ao ouvir expressões hoje chamadas homofóbicas numa visita a um grupo guarani. Pouco antes conversando com uma colega me contou uma experiência semelhante. Numa pesquisa  posterior notei uma queda populacional e um crescimento no número de nascimento. Também houve uma diminuição da mortalidade infantil em face do trabalho de assistência à saúde.
Malinowski, em um dos seus trabalhos enumera as necessidades básicas e uma delas é a procriação. É a procriação que garante a sobrevivência dos grupos humanos. Para procriar é necessário que haja uma mulher e um homem. Pelo que acontece em todos os grupos humanos, pelos que eu conheço e pelo que a literatura nos ensina, há um arranjo de espaços sociais que cada um dos membros – pessoas, grupos, etc. - da sociedade ocupa, a estrutura social. As relações entre estes diferentes espaços, mostra-nos com o grupo  social se organiza. A organização social. Homens e mulheres, crianças, adultos, idosos ocupam espaços delimitados e os espaços principais são a divisão por sexo. Nas sociedades mais simples há uma divisão sexual do trabalho. Nas sociedades mais complexas inicia-se uma divisão social do trabalho.
Nos grupos guarani que estudei, por exemplo, havia uma divisão sexual do trabalho na fabricação de seus instrumentos que se tornaram de interesse artesanal para a população nacional. Para a fabricação de arcos, por exemplo, os homens tiravam a madeira e preparavam para torna-los em arcos e as mulheres trançavam dos fios para fazer a corda do arco. Com o aumento da produção os homens começaram a trançar a corda para ajudar as mulheres. O mesmo aconteceu com a fabricação de cestos. Fui testemunha do início da divisão social do trabalho.
Em nossa sociedade, com a participação mais efetiva das mulheres, a divisão social do trabalho embaralhou a identidade de atividades exercidas por homens e por mulheres. Quando eu cursava a faculdade pegava sempre ônibus da mesma linha e com o tempo tornei-me conhecido dos motoristas. Nesta época (década de 60) a CMTC[1] contratou as primeiras mulheres motoristas. Uma conversa recorrente com os motoristas era de que às mulheres coube dirigir os ônibus “roda mole” (direção hidráulica) e aos homens os de “roda dura” (direção mecânica, mais pesada). A linha que eu usava só havia ônibus “roda dura”.  Nesta mesma época a CMTC começou a trocar a sua frota por ônibus mais modernos e certamente homens e mulheres começaram a concorrer a mesmas escalas de motoristas.
Logo após houve a incorporação da Guarda Civil à então Força Pública – atual Polícia Militar - e as mulheres de graduação mais baixa da Guarda foram incorporadas como terceiros sargento da FP.
Se de um lado socialmente homens e mulheres podem fazer praticamente tudo, não devemos esquecer as diferenças biológicas.
Mesmo homens e mulheres poderem fazer praticamente tudo, mas fazem mantendo as suas identidades de sexo. A identidade de gênero é resultante do sexo biológico.  Portanto o conceito de homonormalidade é enviesado, pois a normalidade é a heterossexualidade. O normal é o padrão. O que estiver fora da normalidade é anormal. Qualquer estudante de estatística aprende isto.
A distribuição probalística da normalidade é cerca de 70% da totalidade. Para uma projeção demográfica é esta faixa que deve ser considerada. Nas discussões recentes da reforma previdenciária poucos e falou destas projeções. Verificando as projeções para 2050 no Estado de São Paulo a previdência será insustentável. A variável biológica não poderá ser descartada, como vemos nas discussões atuais…
Estatisticamente a homossexualidade será tolerada até uma faixa de 15% num lado da curva de Gauss (curva do sino) e os machistas ferrenhos nos outros 15% do outro extremo.  Mas falar em homonormalidade...
Estava escrevendo estes apontamentos e estava lembrando de Thomas Sowell, no seu Os Intelectuais e a Sociedade, comenta dos intelectuais que desprezam o conhecimento mudando (o mundo empírico) provocaram muitos desastres sociais econômicos e outros. Um exemplo é a crise que ora experimentamos.







[1] - CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos da Prefeitura paulistana. 

sábado, 14 de outubro de 2017

Ser professor

Apesar de ser filho de professora e irmão de três professoras, nunca pensei em se professor. Eu era radiotelegrafista numa estação no interior onde fazia escala o avião do CAN (Correio Aéreo Nacional). Eu tinha 22 anos. Entre os passageiros de um voo do CAN  havia um que diferenciava-se dos demais passageiros, quase todos com características de caboclos do Brasil Central:  alto, loiro, cabelo curtinho e falava inglês. Perguntei a um dos sargentos da tripulação “quem é este cara aí?”. É um antropólogo, respondeu. E o que ele faz? quis saber. Ele vai numa tribo do Xingu, faz perguntas para os índios, anota, volta para o país dele e escreve um livro, respondeu o sargento.
Encasquetei: vou estudar antropologia. Lá do interior de Mato Grosso transferiram-me para Curitiba e fui fazer o 3º ano do colegial e procurei saber onde eu poderia estudar antropologia. Fiz vestibular, fui aprovado no curso de História Natural. Tinha aulas de botânica, petrografia, biologia e nada de me ensinarem conversar com índios, anotar e escrever livros. Fui descobrir que o que ensinavam era antropologia física no segundo ano. Mas poderia escarafunchar os sambaquis do litoral do Paraná. Fiquei em Curitiba nos anos de 1961 até 1966. Período difícil. Parei com o curso de História Natural até que soube de um  curso de Sociologia, Política e Administração Públicas ligado a agora Universidade Católica do Paraná. Como a situação política em Curitiba não estava muito favorável para mim resolvi retornar a São Paulo e terminei o meu curso da Sociologia e Politica de São Paulo e em segui fui fazer o meu pós da USP. Foi quando começavam a surgir as primeiras faculdades particulares. Tive um colega de curso, tornamo-nos amigos e ele me convidou para lecionar em Mogi da Cruzes. Foi uma beleza! Primeiro financeiramente. Segundo por começar a aprender a ser professor. E a fazer pesquisa entre os índios guarani do litoral. Aproxima-se a meio a século o dia que entrei pela primeira vez numa sala de aula, como professor e de antropologia.  Em março passado fez 47 anos.
Quantos alunos passaram por mim? Não tenho a mínima ideia.  Tive turmas com 150, 200 alunos. Parecia mais um conferencista do que um professor. Passei por situação difíceis, como por duas vezes sentei no braço de  carteiras e elas vieram. Levei tombo com plateia. Certa vez fui fazer uma palestra no fórum de uma cidade do interior e a plateia olhava de maneira esquisita para mim. Olhei para a minha roupa e estava tudo certo, não aparecia nada que não deveria aparecer. Perguntei o que estava acontecendo e me falaram  que o gradil que separava a plateia do fórum ao local onde ficava o juiz poderia cair. Eu estava encostado nela. O melhor momento que passei neste aprendizado de ser professor foi no Amazonas, com relação à distância social. Em outras palavras, não existe distância social do professor em relação aos diferentes estratos sociais.
No decorrer da nossa vida profissional passamos por dissabores, com a diversidade de alunos de péssima formação, mas presos por modelos políticos, religiosos, etc. Hoje, fora da atividade docente e com as redes sociais, é comum alunos comentarem a respeito de alguma orientação, alguma resposta, despercebida para nós, mas crucial para os alunos. E ficamos felizes quando encontramos de graduação que hoje são doutores, pós-doutores.
A responsabilidade do professor é medida em longo prazo. É uma profissão de vida com resultados conhecidos quando não haverá mais meios de corrigir erros.
Eu me tornei professor por acaso, mas me orgulho por esta profissão que exerci por quase meio século.
Um abraço aos meus colegas de profissão.

Mauro Cherobim (15/10/2017)

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Os dois lados da censura.

Tenho lido postagens a respeito de um programa da TV Globo com a participação de artista que criticavam a censura à arte.  O foco foi a censura a duas exposições, o Qeermuseu em Porto Alegre e a demonstração no MAM.
 A minha opinião sobre arte não tem qualquer relevância e por isto nem deve ser considerada, mas como cidadão eu me sinto confuso com tantas declarações contraditórias e desbaratadas. Costumamos associar censuras atos impeditivos, formais, oriundos do poder politico instituído. Existem censuras informais que este mesmo poder político exerce a partir de pressões políticas, econômicas e outras. Também se censura através de processos jurídicos. Há, ainda, outras formas, como a mais recente, que se chamou de “assassinatos de reputações”.
 Apesar de não ter assistido este programa da TV Globo, chamou-se a atenção que o líder deste movimento contra a censura às artes e o cantor e compositor Caetano Veloso e a sua (ex-) esposa  Paula Lavigne. O que me surpreende é perceber que este casal não é contra a censura, mas sim contra a censura que atrapalha os seus interesses e a favor da censura a favor dos seus interesses.
 Biografia não autorizada.  Biografia autorizada não é biografia. É marketing.
 A censura é boa quando atende aos nossos interesses e ruim quando  os contraria.

sábado, 30 de setembro de 2017

E nós cada vez mais caretas

O caráter político das exposições.
Hoje eu postei no meu perfil um comentário a respeito da exposição do MAM onde pergunto se “arte pedófila” é arte. Pela legislação, antes de ser arte é crime. Muita gente está condenada e presa por muito menos do que as exposições do Qeermuseo Santander e do MAM apresentaram. Estas exposições, além do mais, promovem a erotização e que tendem a levar à criminalização do nu. Vê-se isto em muitos comentários.

Olhemos isto de fora. A exposição qeermuseu Santander abriu as portas em agosto. Lula foi condenado em 12/07/2017 e já tinha depoimento marcado para 13/09/2017. O MBL jura de pés juntos que a denúncia inicial não foi dele, mas para não ficar de fora entrou no jogo condenando a financiamento através da Lei Rouanet, A “descoberta” da exposição coincidiu com o depoimento. Logo a seguir, apara atiçar a fogueira o secretário da cultura de Minas Gerais declarou que levaria a exposição para lá. O governo mineiro está mergulhado em denúncias e além de petista é ligado à ex-presidente Dilma.

O Tribunal da 4ª Região em Porto Alegre estuda o processo de condenação de Lula e estima-se que até o mês que vem (outubro) ele poderá nova condenação em Curitiba. Eis que aparece a exposição do MAM aqui em São Paulo. As exposições estão fazendo um barulhão que abafa a Lava Jato.

E nós ficamos mais caretas com estas discussões moralistas.

São dois jabutis em cima de um poste.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Desejo de renovação

As revistas semanais deste final de semana e do final da semana passada bateram numa tecla só: do novo. Uma nova política, novos partidos, nova forma de gestão pública, e por aí vai: tudo novo. Mas como se as cabeças são velhas? Esta foi a proposta do governo que assumiu em 1964. Naquela época ainda estávamos sob os ventos da guerra fria. Primeiro mundo, os democratas; segundo mundo, os comunistas; terceiro mundo uma procura por “donos”. Lutava-se contra uma ditadura para substituí-la por outra.

Quem eram os generais que assumiram o poder em 1964? Eram os tenentes da década de 20. Quem eram estes tenentes? Eram os alunos e alunos dos alunos dos positivistas que derrubaram o império e desejavam instituir uma ditadura militar imbuídos de um positivismo trazido pelo Imperador Pedro II.

Quem os generais de 1964 derrubaram? Os “parafascistas” criados e alimentados por Getúlio que se diziam comunistas e/ou sindicalistas. Esta gente aparelhou as universidades para formar gente alienada que está alienando as crianças a partir das primeiras letras.

Como partir para uma nova formulação política, cultural, se as cabeças são velhas, carcomidas por teias de velharias longe  das realidades atuais.


Como renovar no meio de tanta decrepitude? 

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Política e pitacos

Com as redes sociais todos nós nos tornamos enunciadores de pitacos. Pitaco é um termo que ainda não foi dicionarizado e lá no “Santo Google” encontrei uma explicação: é “sugestão sem muito fundamento ou de gente intrometida que nada entende sobre o assunto em questão”. Esta explicação é a mesma de palpite, nosso velho conhecido. O pessoal que gosta fazer a sua fezinha no jogo do bicho passa o dia atrás de pitacos. Isto é, palpites.

Como estava falando, nós nos tornamos pitaqueiros sobre política, divididos em dois grupos principais: “Lula na cadeia” e “Lula é perseguido político”. Mas Lula nunca é preso e ninguém acredita que Lula seja perseguido político.

Comecei a escrever este pitaco inspirado num afirmação de um comentarista de que os políticos do Executivo e do Legislativo não pensam em outra coisa além do medo de acordar com a polícia federal nas suas portas. A porta que abrir encontrará um PF do outro lado.

Como todo brasileiro mal informado aventurei-me a dar pitacos sobre política, Mal informado porque os jornalistas atuais estão, necessariamente, engajados numa corrente política atual.

Tempos atrás, quando Cristina ainda governava a Argentina ouvi de um comentarista que aquele país não era para amadores, mas para profissionais. Assim mesmo... Mas o Brasil, do jeito que as coisas estão, nem para profissionais. A nossa história (tradicional) era uma epopeia de feitos memoráveis dos nossos heróis históricos; Anhanguera, Raposo Tavares, dentro tantos. Fala-se da esperteza da derrota que D. João VI aplicou nos franceses, deixando-os em depressão profunda, por não encontrarem um patacão em terras lusas. Trouxe até dona Maria Louca. Na volta à metrópole deixou o filho governante em uma mão na frente ou atrás, pois a riqueza retornou junto. A riqueza é do dono do poder. O poder era o monarca. E assim passamos pelo império e chegamos na república.

Fez-se festa no dia 01/06 por ser o primeiro dia que o nosso salario era somente para a nossa sobrevivência. Surpresa! Lá estavam as mesmas mercadorias, algumas com o mesmo preço e outras com preços mais elevados. Todas com os impostos embutidos. E Dória fazendo sorteio de um milhão para quem exige notas.

Conversando com um amigo na Amazônia, há quase cinco décadas, ele tinha uma empresa sem registrar para não pagar impostos e reclamava que não consertavam as estradas. Se você não paga impostos como o governo vai consertar as estradas? Ora, o governo faz o dinheiro e dinheiro público não tem dono. É publico; é de quem chegar primeiro.

Nesta mesma conversa perguntei a respeito de um comerciante se havia mudando de ramo para o de construção dada a quantidade de telhas no seu depósito. A explicação é que ele havia feito um negócio com “sobra” de telhas. Mas “sobrou” mais material. Outro meu amigo me mostrou várias casas com um mesmo tipo de telhado, feito pelo carpinteiro da prefeitura (sabia fazer somente um tipo de telhado e lá deixava a sua “marca registrada”). Todas construídas com “sobra” de material.

Lembrei-me deste caso na delação da esposa do marqueteiro do PT quando ela falou que a ex-presidente mandou que ela transferisse o dinheiro da Suíça para Singapura. Ela chegou antes e se apoderou do dinheiro público, ainda “sem dono”. Mas chegou à Suíça com dono. Isto é, dona.

De uns tempos para cá surgiu uma parte da justiça de caráter avarento: está perseguindo estes “sortudos” que chegaram na frente para se apropriar deste dinheiro público, Isto é, sem dono. Funcionários insensíveis e avarentos estão querendo se apoderar destes dinheiros sem donos espalhados pelo mundo afora. Estes funcionários avarentos estão se associando a funcionários também avarentos para que a este dinheiro seja reconhecida a sua propriedade, o público.

Os ex-sortudos estão sofrendo uma transferência compulsória para Curitiba.

Há uns três das atrás fui num cartório para encontrar um amigo para preparar uma documentação. Como ele lê os meus pitacos, perguntou: Professor, o senhor que sabe das coisas (saber das coisas numa regime autoritário é perigoso!), a chapa de Dilma e Temer será cassada? Disse-lhe que a única coisa que me dava uma relativa e cuidadosa certeza é que daqui a pouco vão chamar para entregar o documento autenticado, mas do que acontece em Brasília... Mas certamente Temer não irá cair. Parece-me que é a isto que o processo está indicando. Pelo menos neste processo. Mas...





segunda-feira, 27 de março de 2017

Quem tem, tem medo...

Medo da Lava Jato? Claro, quem deve teme. Até Lula que está a tremer até nos fios do bigode. Até talvez esteja o motivo de a (grande) imprensa deixar as manifestações passarem às brancas nuvens. Até os MAV (militantes do ambiente virtual) passaram mais calados do que canário na muda.

Ontem não vi nada na TV a respeito das manifestações a respeito da Lava-Jato. Os jornais de hoje também se calaram. Hoje estive procurando os sites do Estadão, da Folha, da Veja e não vi quase nada a respeito das manifestações, a não ser algum artigo sem qualquer destaque. Procurei algo nas revistas semanais (Veja, Época e Isto É) e não encontrei comentários a respeito das manifestações em defesa da Lava Jato. Mas na três revistas lá estavam propagandas de página inteira da FriBoi, da JBF, da Seara, da indústria automobilística, dos grande bancos, e até do BNDES nas páginas da Época e da Isto É.

Bem, por que este silêncio? Medo? Tudo indica que sim. A começar pelos políticos. Todos eles que têm os seus nomes ligados às investigações sabem que avançaram o sinal. Os MAVs (Militantes do Ambiente Virtual) que se arriscam a aparecer desculpam os envolvidos que antes do PT também havia corrupção. Havia. Claro que havia. Mas com uma diferença: a corrupção de agora foi institucionalizada e desta forma do PT e os seus partidos aliados agiram de forma de contrariar os seus motes de campanha, de suas juras de defesa à empresas das empresas estatais. Ao invés de defenderem quebraram estas empresas. Petrobras, Eletrobras, e outras. Forçou o BNDES a ceder financiamento para empresas para capitalizá-las com o objetivo de dominar o mercado, como fez com a JBS. Quebraram o Estado para financiar empresas particulares, apesar de jurarem, de pé juntos, que são de esquerda.

Claro que dá para se entender de esta gente ser contra a Lava Jato e outros juízes, procuradores e policiais federais que investigam esta bandalheira que hoje conhecemos. Mas o que conhecemos, nós, brasileiros, não deve chegar a 1% do que já foi levantado. Os dados devem estar seguros em diferentes locais. A informática permite isto. Os investigadores sabem disto, melhor do que nós, pois quando a Lava Jato estava iniciando houve inicio de incêndio na sala contígua à sala de onde estavam as informações das investigações. A informação foi que o incêndio foi acidental. E se não tivesse sido?


Existe um ditado popular que diz que quem tem, tem medo. Como todos têm, imagine-se o medo dos que têm dívidas a pagar (27/03/2017).

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O Brasil precisa retornar ao século XXI



A imprensa brasileira (não que me estender à imprensa de outros países. Cada um tem a sua) reflete pertencer a um país de raiz autoritária. O CENIPA apresentou um projeto de lei para que as investigações sobre acidentes aeronáuticos fossem sigilosas. O projeto se tornou lei e ninguém saberá por que uma aeronave se acidentou. Para ficar num acidentes recente, da aeronave da Air France que se acidentou no meio do Atlântico a imprensa agiu livremente, ao contrário da aeronave que os rebeldes pró Rússia derrubaram na Ucrânia. E parece que trabalhou livre no desaparecimento daquele voo entre a Malásia e a China.

Há uma expressão na aviação de que um avião não cai. É derrubado. Até um King Air dito como um dos mais seguros na aviação de pequeno porte. Qualquer aeronave seja um teco-teco, um ultraleve, até um Airbus 380 ou mesmo Antonov Mriya An-225, maior avião do mundo, decolam, pousam, e estão sujeitos a cair no meio do caminho.

Num acidente com automóvel podem morrer até cinco pessoas e com um ônibus chama mais a atenção porque morre mais gente e numa aeronave de grande porte podem morrer 300 ou mais pessoas. Estes incidentes (o termo é meio leve, eu sei!) fazem-nos esquecer de quantas pessoas morreram entre um acidente aeronáutico e outro. Só para comparação e para lembrar, até hoje se fala das centenas de mortos do Titanic, mas pouco se fala dos três mortos do Costa Concórdia. Não deveria morreu ninguém. As investigações são feitas para evitar que alguém venha a morrer num acidente.

No caso dos acidentes aeronáuticos. Tirando Ícaro, o homem começou a alcançar a voar no século XIX. De balão. Segundo Rocha Pombo (um morretense como eu. Que bairrismo!), a primeira observação aérea numa guerra foi ideia de Caxias (Luís Alves de Lima e Silva), a partir de um balão alçado além do alcance de tiro das garruchas paraguaias.  Santos Dumont com os seus estudos de aerodinâmica e a partir daí chegamos no que é a aviação de hoje.

Mas os aviões ainda são derrubados. O que os derrubou? Todos nós somos passageiros em potencial de um avião e temos o direito de saber o motivo de uma queda. Algumas vezes a causa da queda está em terra e sem a mínima noção de ter sido a causa. Já que falamos do Air France. Descobriram que a causa foi o congelamento de uma peça que mede a velocidade do avião. Quem iria imaginar? A investigação descobriu e o tipo entrou na lista de checagens e assim não derrubará mais nenhuma aeronave. Uma pecinha vagabundinha, como se dizia Joaquinzinho Leite, no meu tempo de guri, na oficina mecânica lá em Morretes. Num dos retornos do meu filho para a Inglaterra na hora de checagem antes do voo descobriram um probleminha no pitô.  O voo atrasou 24 horas e a empresa ainda pagou uma indenização de 500 libras para compensar o seu prejuízo. Esvaziar o bolso dos faltosos é a pena eficiente. Muito eficiente.

Logo após o acidente de Parati comentei que todos nós somos mortais e quando assumimos determinadas responsabilidades teremos que nos preocupar com a nossa segurança, pois a nossa incapacidade costuma atingir outras pessoas. É o caso do Ministro Teori. Quantas pessoas estão desempregadas, quanta gente morreu em portas de hospitais, quanta gente sofre por causa da insegurança pública, etc., em decorrência da corrupção que aflige o país? Ele sozinho tocava uma investigação com centenas de processos contra corruptos de alto coturno, liderados por um ex-presidente e uma ex-presidente. Sozinho! E o que fazia este senhor numa aeronave de pequeno porte que tentava pousar num aeródromo complicado pelas condições topográficas e atmosféricas? Procura-se fazer uma investigação. Mas o acidente aconteceu num país em que as investigações são secretas por decisão da uma presidente que foi “impeachmentada” (tentei aportuguesar. Não sei se deu certo!), dona de um perfil autoritário.

Fato primeiro: um avião caiu e entre os seus passageiros havia um Ministro do STF, relator do maior processo de corrupção cujos réus eram pessoas dos mais altos coturnos, um empresário proprietário da aeronave e dono de uma rede de hotéis de luxo. E duas mulheres convidadas pelo proprietário da aeronave. Além, é claro, do piloto. Fato primeiro A: explodiram as teorias da conspiração e os autores da queda eram os corruptos investigados. Fato primeiro B: misoginia (as mulheres também são misóginas). As mulheres passageiras foram transformadas em garotas de programa. É complicado ser mulher numa sociedade misógina. O martelo das (para castiga-las) feiticeiras ainda está presente neste século XXI.

Quais foram as causas da queda da aeronave? Por obra e graça de dona Dilma não vamos saber. E como ficará a Beechcraft, a fabricante da aeronave? E os milhares de proprietário de aeronaves do mesmo tipo da que se acidentou? E os pilotos que frequentam o aeródromo de Paraty?

O Brasil precisa retornar ao século XXI.


Dos primeiros 17 anos do século XXI, treze e meio anos estivemos com a macha ré ligada, pé no acelerador num retorno à baixa idade média.



O site é humorístico, mas a foto é verdadeira.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

As responsabilidades funcionais e a nobreza dos juristas.

Logo após o acidente que vitimou o Ministro Teori postei uma crítica às teorias da conspiração que corriam soltas nas redes sociais. Usando uma expressão muito divulgada na época do impeachment de Dilma Rousseff, o “conjunto da obra”, isto é, o conjunto de circunstâncias mostrava levava-nos a conclusão de um acidente aeronáutico. Mas isto é trabalho dos peritos em acidentes aeronáuticos do Comando da Aeronáutica.

O que eu gostaria de comentar e com todo o respeito de devemos ao Ministro Teori, esta sua viagem para Parati, local com condições atmosféricas complicadas e perigosas para aeronaves de pequeno porte, faltou-lhe um pouco de senso de responsabilidade. Não só dele, mas também e principalmente para o seu amigo, proprietário da aeronave. O Ministro era responsável por um processo que envolve a vida de milhares de pessoas que dependem das empresas envolvidas nos processo de corrupção em análise e também das questões que levaram o Brasil às crises econômica e política pelas quais passamos. Da mesma forma, o empresário proprietário da aeronave e amigo do Ministro, pelas notícias que tomamos conhecimento, tocava os seus negócios com mão forte e a sua empresa por uns tempos ficará acéfala. A sua morte afetará a empresa e aos seus funcionários.

Atendo-me à administração pública, os funcionários com alta carga de responsabilidades deveria sofrer restrições  de locomoção e as responsabilidades deveriam ser compartilhadas.

Pelo que lemos na imprensa, a Ministra Carmem Lúcia deverá assumir as responsabilidades deixadas pelo Ministro Teori, mas não a memória do processo, pois esta morreu com ele. A memória, a que me refiro, são os nexos entre um fato e outro.

Sem querer comprar briga com os meus amigos da área jurídica. Um mundo essencialmente ritualizado. O tratamento de doutor provoca um distanciamento social entre a população desta área e as pessoas comuns. O título de tratamento transforma-se num prenome como se fosse um título nobiliárquico. Este sentimento de nobreza dificulta mudanças porque o rito se torna razão de ser. E por fim, não devemos nos esquecer que os nobres também são mortais.


Enquanto se discute teorias de conspiração, o busílis do problema fica de fora.  

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Nós somos mortais


Na minha percepção (até posso estar errado) esta questão de conspiração é besteira, mas como somos mortais temos que levar isto em consideração.

Eu sou do tempo da aviação arco e flecha. Naquele tempo havia uma expressão que dizia que avião não cai; é derrubado. E havia três causas principais que derrubavam um avião: problemas mecânicos, problemas atmosféricos e problemas humanos. Estas três causas sempre estão associadas.

Do meu tempo para hoje, relativamente tem caído menos aviões, pois o número deles é cada vez maior. Como também é bem maior o número de altas autoridades voando pelos céus do mundo. Outro dia o Presidente Temer foi a Portugal ao velório de Mário Soares e voltou em seguida. Lula vivia voando pelos céus africanos e da América Central fazendo palestras. E que palestras!

Existem abusos e alguns descuidos. Outro dia estava vendo (num vídeo) a investigação acerca de um acidente de uma aeronave com pane seca (falta de combustível). Uma empresa americana adquiriu um Airbus no Canadá. Os padrões de volume nos EUA e na Europa são diferentes. Pelos instrumentos do caminhão tanque o avião estava abastecido, mas o a quantidade de combustível não era suficiente para o voo. No caso do avião da Varig que caiu na Amazônia, uma vírgula colocada na direção do voo, talvez por descuido do comandante e/ou do copiloto, o avião ao invés de ir para nordeste foi para oeste.

O litoral sul do Estado do Rio e o norte de SP são sujeitos a muitas variações  atmosféricas e isto tem causados alguns acidentes com aeronaves de pequeno porte, e o mais conhecido foi o que matou Ulisses Guimarães.

Além disto, estes centros de análise de causa de acidentes, como é o CENIPA, no Brasil, são de interesses não só para perícia judicial, mas de descoberta de características técnicas que se evidenciam num momento especial e que foram despercebidos nos testes de fabricantes, simuladores de voo, etc.

Há outro fator que se deve levar em considerações. No caso do Ministro Teori, por exemplo. Ele era responsável pelo processo da Lava Jato no STF e isto o tornava portador de uma memória não compartilhada, e com isto todos os nexos entre um caso e outro. Nós não somos eternos, somos mortais. Quem assumir no seu lugar talvez venha a reinterpretar tudo o que o antecessor sabia. Não falo em desonestidade.

Da mesma forma, não vi e nem li nada que falasse em comandante e/ou copiloto. Parece que havia somente um piloto. E se der um “piripaque” neste piloto? Será que não foi isto o que aconteceu com as queda desta aeronave em Parati? A necropsia do piloto deverá ser feita com muita atenção.


O CENIPA não é órgão político; é um órgão técnico. E a  Beechcraft Corporation já deve estar com representantes para acompanhar as investigações. E assim é no mundo todo. Existem tratados internacionais. O que deve ser pensado é de um cargo como o do Teori deveria ter um copiloto. Pensar como se nem o avião tinha copiloto?