sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Lenitivos


Lenitivos
                        Carmela,

As vezes me ponho a pensar
Nos arrebóis do nosso amor...
- Eu colibri a esvoaçar,
   E tu, virgem roseira, em flor...

De palpitações me nutria,
E que saudoso palpitar!
- Minha alma, abelha que sorria,
   Entre volúpias, ao néctar...

Colibris vêm ao jardim
Vêm uma flor! Voam em vão,
Deixou-o a canícula, assim.

Entanto, daquela, o esplendor
Mesmo da vida no verão,
Satura-me ainda de amor!

Morretes, Pitinga, 1927
Francisco Serôa da Motta Sobrº


O meu avô materno chegou em Curitiba por volta de 1905, quando conheceu a minha avó, Maria Carmela Sentone. Meu avô vinha de uma maratona de vida. Nasceu na cona rural de Propriá, Mata da Vara e perdeu a sua mãe no parto. Foi criado por duas de suas tias maternas e na adolescência foi para Recife viver com um seu tio, também materno e homônimo, militar e comandante de uma unidade do Exército. Quando chegou na idade do serviço militar sentou praça e logo a seguir, na graduação de sargento apresentou-se voluntário para seguir ao Acre, época da crise com a Bolívia. A viagem era feira por vias marítima e fluvial (claro há pouco mais de um século!). Quando se aproximava do rio Purus a tropa foi acometida de beribéri (deficiência de vitamina B1 – tiamina). O barco retornou e seguiu direto para o Rio de Janeiro para internação no Hospital Central do Exército. Restabelecido, foi enviado para Lorena onde havia uma unidade de repouso. Finda esta segunda fase de recuperação foi transferido para a Colônia Militar de Xanxerê, oeste do atual Estado de Santa Catarina. Em Curitiba teve a sua transferência reformulada para Foz do Iguaçu. Esta viagem, contava o meu avô, era feita cm carroções até Guarapuava e daí para frente a cavalo. Pelos relatos, estas tropas seguiam pelo Peabiru, o caminho trilhado pelos índios guaranis entre as terras que hoje são o Paraguai e a costa Atlântica.

No período em que ficou em Curitiba conheceu a minha avó, Maria Carmela, estudante do Instituto de Educação do Paraná. Houve uma farta correspondência entre os dois, quase toda em cartões postais. Cartas de amor. Quando minha avó faleceu o meu tio que vivia com ela queimou toda a correspondência. Mas sobram alguns cadernos manuscritos. Alguns ficaram comigo e outros com minhas irmãs.

O meu avô, ao regressar de Foz do Iguaçu, pretendeu ingressar na Escola Militar o Exército, para o curso de oficiais. Isto aconteceu quando o Marechal Hermes da Fonseca assumiu o Ministério da Guerra e o reestruturou. Dentre as mudanças houve o impedimento que os graduados alçassem o oficialato. Isto o magoou muito e o levou a deixar o Exército. Nesta época a minha avó era professora na zona rural de Araucária, Guajuvira.

Casaram e foram morar onde a minha avó lecionava e o meu montou uma fábrica de refrigerantes, gasosa, como é conhecida no Paraná. A maior parte da produção era vendida em Curitiba, transportava de carroção. O meu bisavô era o napolitano, casado com uma moça de Iguape.

Por volta de 1915 resolveu comprar terras em Morretes. Soube que o Estado estava oferendo títulos de propriedades de terras devolutas a interessados. Meu avô conseguiu as terras e a minha avó a sua transferência para a escola rural do Rio Sagrado. O casal era o mais – senão o único da região. Enquanto a minha avó lecionava o meu avô se tornou o inspetor de quarteirão e uma espécie vice-prefeito. O padre nomeou-o responsável (capelão) da capelinha de Santo Antônio, construída no alto de um morro onde os meus pais casaram.

O beribéri deixou a sua marca no meu avô. Provavelmente pelos esforços na lavra das suas terras, os efeitos da doença retornaram por volta de 1925, 1926. Comentava que por duas vezes viu-se às portas da morte.

No período de recuperação da segunda fase da sua doença começou a escrever e a “poetar”. E a expressar o seu amor à sua Maria Carmela. Muitos dos poemas do meu avô falam de morte no sentido espiritual do que no sentido físico. Eu ainda me lembro dos comentários do eu avô quando o seu pai e as duas tias que o criou faleceram. Ele comentou que recebera um aviso e algumas semanas depois recebia uma correspondência, geralmente do seu primo Lourival, falando do falecimento.

O meu avô era como um imigrante. Um brasileiro em terras nacionais, mas em comunidades imigrantes. O Paraná por muito tempo foi uma Província desabitada, região de criadores de muares das tropas que viajavam entre o sul e São Paulo, a Quinta Comarca de São Paulo, “abandonada” na metade do Século por ser republicano e a sede (São Paulo) monarquista.








A falência do PT


Há algum tempo, deve ter sido no tempo na época do “mensalão” (não guardei o texto, como faço agora), uma continha para prever o tempo que o PT ficaria no poder. A minha reocupação aumentou porque era voz corrente entre os petistas de o partido ficar no por 50 anos. Quem tiraria o partido em 2052?

João Paulo Cunha um deputado influente do partido eleito deputado federal quando Lula foi eleito em 2002 declarou que as eleições não tinham sido uma campanha política, mas uma luta pelo poder. Sob as bênçãos de Lula este deputado foi alçado à presidência da Câmara. Mais tarde condenado e preso pelo processo o Mensalão.

O autoritarismo está no DNA do PT e tem na sua ancestralidade política o getulismo. Isto me motivou a fazer a continha. Se eu não estiver enganado, isto foi ainda o tempo do Orkut.

Getúlio ficou no poder durante 15 anos e o regime militar 21 anos. Imaginei 16 anos, tempo para o PT sair através das eleições. Infelizmente a conta deu certo, pois o petismo está entregando um país destroçado. Incluí neste tempo o mandato de Temer, vice do poste de Lula.

Não devemos esquecer que o mal que o PT fez ao país cabe também ao regime militar que não se preocupou em desenvolver uma mentalidade política dentro dos seus propósitos (teóricos). Ao invés disto governaram o país como estivessem comandando uma unidade militar e a Constituição como se fosse o RDE (Regulamento Disciplinar do Exército). Isto se deve, em parte vivíamos sob a guerra fria e União Soviética e China lutando pela divisão do “segundo mundo”, como relata Flávio Tavares no seu recém lançado livro “As três mortes de Che Guevara”.

A luta pela divisão do “segundo mundo” provocou o racha do Partidão com a criação do PCdoB.

Existe uma literatura recente que nos permite entender a onda anti-petista que emergiu nestas eleições e a renovação que está ocorrendo no Congresso (Mauro Cherobim).
(não editei o texto)

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Amizade e descaminhos políticos


Eu tenho um amigo que neste ano a amizade fez 60 anos. Nós nos conhecemos na Base Aérea de Santos num curso de cabo radiotelegrafista auxiliar. Eu havia feito um curso anterior, mas fui reprovado no exame de radiotelegrafia. Eu e mais dois. Três “oriondi”: um de italiano, um de japonês e um terceiro de alemão. Pela ordem, um paranaense, um paulista e um catarinense. Os três fomos nos matriculamos neste novo curso de cabo. O italiano e o japonês, por já serem operadores ficavam mais na Estação Rádio da Base e por serem operadores, foram aprovados num concurso de sargentos. 

Os dois aprovados já estavam no Rio de Janeiro fazendo o curso de sargento voluntário especial enquanto os seus amigos terminavam o curso de cabo. No final do curso do Rio o italiano foi trabalhar em Goiânia e o japonês em Bauru. Seis meses mais tarde o de Goiânia foi para Xavantina. Chegou lá na tarde do dia em que os revoltosos de Aragarças e Xavantina. As aeronaves carregadas de soldados retornaram para as suas unidades e os voos foram proibidos por quase três meses. Era época das águas; o trecho Barra do Garça e Xavantina ficava intransitável.

Quando os voos normalizaram o sargento que era o meu chefe, foi substituído por um colega novinho, recém promovido e eu fiquei responsável pela Estação. Também retornou para São Paulo o cabo que encontrei foi substituído por um outro. Eu e os cabos (o que saiu e o que chegou) fomos colegas da mesma turma de cabos de Santos.


Xavantina era, oficialmente, o Centro de Atração Ministro João Alberto (CAMJA), um órgão da Fundação Brasil Central. O cabo que chegou com o saco de lona que os soldados recebem quando são incorporados e embaixo do braço um livro grosso. Não, não era a Bíblia. Era o “Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa” de Gustavo Barroso. A toda hora ele vinha a mim e falava: “Cherobim, aprendi mais uma palavra!” Para este meu amigo cada verbete era como se fosse um versículo bíblico. .

De Xavantina fui transferido para a Estação de Rádio do Aeroporto Afonso Pena de Curitiba, retornei para São Paulo, saí da FAB. Ambos nos aposentamos, eu da Universidade e ele da FAB. Um dia recebi um e-mail perguntando se eu era o Cherobim da FAB. Nos reencontramos e passamos a nos encontrar. A primeira vez foi em Rio Claro, onde ele morava. Ele morava lá e eu vinha de Araraquara onde fora participar de uma banca. Combinamos via telefone e eu passei ela casa dele tomar um café. Era para tomar um cafezinho e conversamos umas cinco horas. Ou mais.

As escolas militares são tidas pelos seus alunos como berço. O nosso berço foi o nosso curso de cabo em Santos. Muitos amigos sumiram do nosso horizonte, mais do meu pelo fato de eu ter e afastado da FAB. Uma parte deles já eram falecidos. Outros havia saído.


Quando já havíamos (na verdade este amigo) descoberto uma dezena de colegas combinamos fazer um encontro no nosso “berço”, a Base Aérea de Santos. O comandante ficou emocionado a receber um grupo de velhinhos visitando onde há meio século eles receberam instrução profissional. Ofereceu àqueles velhinhos uma apresentação militar emocionante. Os que já haviam falecido foram representados pelas suas esposas e pelos filhos. (texto não editado).

É interessante acompanhar a vida de amigos através das décadas. Este meu amigo tornou-se lulólotra (adorador de Lula). Não é por isto que devemos deixar que esta adoração interfira na nossa amizade. Se isto acontecer estaremos sobrepondo à nossa amizade à uma vontade política, plena de aspectos antissociais que tanto mal fizeram ao nosso país. Se não fizermos isto mergulharemos no terror que temos testemunhado.





domingo, 31 de dezembro de 2017

Gente, tome tento!

Gente!...  tome tento!...
Outro dia li uma declaração do Papa Francisco que o homem é o único animal que tropeça mais de uma vez na mesma pedra. O eleitor brasileiro também.
Diz o dito popular que o diabo não sabe das coisas porque é sábio, mas porque é velho. Quando Collor era candidato eu me sentia assistindo a campanha de Jânio Quadros. Jânio foi eleito e deu no que deu. Meu tio avô José queria saber por que eu não iria votar em Jânio. Disse a ele que se renunciou uma vez (renunciou de ser candidato e “desrenunciou”) voltaria a renunciar outra vez. Foi eleito e renunciou.  A sua renúncia provocou uma bagunça danada.
Collor fez campanha com o mesmo script de Jânio. Renunciou. Jânio “renunciou” para dar um golpe, mas o presidente do Congresso considerou verdadeiro o bilhete de renuncia e declarou vacante do cargo. O pedido era aguardar a chegada dele em São Paulo. O velho Havro da Presidência decolou de Brasília e pousou em Cumbica com um ex-presidente.
Jânio queria usar a vassourinha para limpar a sujeira e Collor queria limpar o Brasil de Sarney. Não que não merecesse, mas...
Collor foi eleito e deu no que deu.
Não vou falar de Lula porque todos nós sabemos no que deu e continua dando.
Agora vejo a campanha de Bolsonaro. Lembra a campanha de Collor com tiradas janistas. Sabemos o que deu com Jânio e com Collor.
Gente!...  tome tento!...



sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

O transporte de mercadorias e de gente em futuro próximo

O CEO mundial da Scania esteve aqui em São Paulo e deu uma entrevista para a ISTOÉ DINHEIRO. Descreveu os projetos que o setor de caminhões tem desenvolvido e de como serão os caminhões daqui a trinta anos. O que chamou a atenção é a perspectiva de nestas três décadas não se usar mais combustíveis fósseis, mas a eletricidade e combustíveis alternativos, como etanol, biodiesel, entre outros.
O que nos leva a pensar será as novas formas de financiamento. Desde que adquiri a primeira impressora jato de tinta notei que as fabricantes de impressora eram fabricantes de tinta e laser fabricavam impressoras para vender tinta e toner. O projeto da Scania – e certamente das demais montadoras de veículos – não é mais vender veículos, mas vender quilômetros rodados. A empresa (Scania, é lógico) oferecerá um financiamento de quatro anos e com toda a manutenção. O cliente ficará com as despesas de motoristas e combustíveis.
Podemos inferir que as montadoras  terão o controle do transporte de mercadorias e de gente (o projeto inclui ônibus) e a logística. E interferirá, de forma direta, nos países produtores de combustíveis, hoje na sua maioria com governantes autoritários. Ditatoriais, melhor falando.
Para melhor informações, ler a entrevista no link abaixo.
https://www.istoedinheiro.com.br/nao-queremos-mais-usar-combustiveis-fosseis/

domingo, 17 de dezembro de 2017

Lula defende os governadores presos porque só roubaram dinheiro público

Eu votei pela primeira vez nas eleições de 1955, quando JK foi eleito. Vínhamos de uma crise militar, uma tentativa de golpe e um contragolpe do General Lott. Antes da posse de JK houve a rebelião de Jacareacanga executada por oficiais da Aeronáutica. A rebelião foi sufocada. Os oficiais foram presos e anistiados logo que JK assumiu. Houve uma morte, Cazuza, o guarda campo e servente de serviços gerais que foi enfrentar as tropas que chegaram com uma espingarda, levou um tiro de morreu. No final do governo de JK, um ano antes do término do mandato, houve a rebelião de Aragarças e Xavantina. Depois disto tivemos as eleições de Jânio, a sua renúncia, a posse de Jango, os movimentos de Brizola no Rio Grande do Sul, as “negociações de paz” e o governo transformado de parlamentarista e voltou a ser presidencialista. E veio 1964.
Durante 21 anos tivemos o regime militar e sabíamos de antemão quem seria o presidente; bastava olhar o almanaque de promoção dos generais. O Presidente seria o general quatro estrelas mais antigo. Vencido o mandato do General Figueiredo, Tancredo Neves foi leito indiretamente, morreu e assumiu o Vice, José Sarney. Vieram as eleições de Collor, o seu impeachment, Itamar Franco, FHC, Lula e Dilma. E Temer.
Nestes 62 anos vi muitas coisas, mas nada como o que aconteceu nas últimas eleições de  corrupção escrachada iniciada no governo Lula. Veio a Internet, as redes sociais, a informatização dos serviços públicos e os métodos de transparência. A corrupção foi  desnudada. Também veio a legislação da colaboração premiada e os convênios internacionais contra os dinheiros oriundos de corrupção que viajava pelo mundo. Os governos lulopetistas abusaram no uso do dinheiro público para financiar o seu projeto de poder, associado com gestores incompetentes. A corrupção e os corruptos foram desnudados e as investigações no âmbito da justiça federal mostraram que o ex-presidente Lula liderava o desvio do dinheiro público.
O ex-presidente Lula por ter sido Presidente da República julga-se acima do bem, do mal e das leis. Isto ficou bem claro na sentença do juiz Moro quando escreveu que ninguém está acima da lei. E foi condenado. Uma pena leve que o fez sentir o peso da lei. Como diziam os radiotelegrafistas, isto o “tirou de sintonia”. Perdeu a noção as coisas. Isto ficou muito claro no texto, a seguir, publicado na Revista Veja esta semana;“..., Lula vem intensificando o embate contra a Lava-Jato. Na terça-feira (12/12), em discurso no Rio, criticou até a condenação do ex-governador Sérgio Cabral. ‘O Rio não merece a crise que está passando. Não merece ter governadores presos porque roubaram dinheiro público’. Parece piada, mas foi isto mesmo”. (Revista Veja, 20/12/2017. p.61).
Como pode um individuo que foi Presidente da República justificar o roubo de dinheiro público. Cinco ou seis meses dos nossos salários vão para o aparelho estatal para sustentar a sua máquina. A crise que o Rio de Janeiro passa decorre “só porque” estes governadores estão presos. Quantos fluminenses já morreram nas portas dos hospitais e ou de balas perdidas “só porque” estes governadores roubaram dinheiro público. E isto acontece pelo Brasil todo.
Não consigo entender como ainda tem gente que defende e vota num indivíduo para o maior cargo da República que acha que roubar dinheiro publica é coisa de menor importância. Dá asco desta gente.
Estamos no final do ano. Daqui a menos de 15 dias começaremos a pagar os impostos para o ano que vem: IPVA, IPTU, IR... Há quanto tempo a tabela do IR não é reajustada? Sem reajuste o IR aumenta. E tem que aumentar porque além da corrupção há os gastos que não têm freios. E quem paga tudo isto? Somos nós, através dos tributos. Somos nós que financiamos a corrupção.

Quem vota nesta gente mantém esta canalhocracia. Vota contra si próprio.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

A maquete da capelinha do Cemitério de Morretes

Zelinda, como nós somos da mesma idade (você chegou por aqui quatro meses antes de mim. Desculpe-me pela xeretice!  Rs) de por isto deveremos ter lembranças próximas, mas quem viveu em Morretes deverá ter algumas lembranças particulares, talvez a mais de quem viveu em Curitiba. E vice versa. Como vou falar de Morretes...
Seu Nhô Beco (Adalberto Vila Nova) era casado com dona Maricota Malucelli e tinha uma padaria na “pracinha do paredão”. Ninguém sabia que se chamava Lamenha Lins. Alguns imaginavam chamar Silveira Neto em razão do monumento em homenagem a este escritor e poeta conterrâneo. A padaria de Nhô Beco era ao lado da sua residência, defronte ao monumento. O “caixeiro” era o Rufino. Para passar o tempo começou a pintar quadro. Morretes tem tradição pelos muitos pintores, escultores, poetas. Eric os tem enumerado. Rufino pintava a maioria dos seus quadros de dentro do balcão e ele mostrava isto nos quadro, pois em grande parte deles apareciam as portas pelo lado de dentro.
A partir de um momento ele começou a esculpir, ou melhor, entalhar madeiras e fazer maquetes. Ele não tinha ferramentas adequadas; utilizava uma faquinha que os sapateiros usavam para dar formas ao couro em seus trabalhos de conserto.
O seu trabalho de maior visibilidade foi a maquete da Igreja Matriz que foi o modelo para a capelinha para o Padre Saviniano no Cemitério.


quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Cinco hipócritas de 2009

Eu publiquei este texto em 02/06/2010. Já havia publicado antes. Não me lembro onde


Comentei num texto anterior os conceitos petistas de estadista e de soberania. Comentava que apesar de os blogs petistas alardearem as características de Lula como estadista, eu nunca achei que ele fosse. Mas como corria dinheiro e os blogueiros eram bem pagos, “vendia-se” esta imagem de Lula. Mas a imprensa internacional já comentava a sua hipocrisia política, confirmada pela operação Lava Jato e outros processos de Lula é alvo

No dia 20/12/2009 o jornal El País, da Espanha, publicou uma matéria enumerando os cinco hipócritas de 2009. O Presidente Lula da Silva foi um deles. E o autor da matéria enumera as contradições que lhe deram este “título”.

 Transcrevo, abaixo, parte desta matéria. Quem desejar ler a matéria original encontrará o em https://elpais.com/diario/2009/12/20/internacional/1261263607_850215.html

Moisés Naím

Cinco hipócritas de 2009

Moisés Naím 20/12/2009

Rever algumas das mais flagrantes hipocrisias dos poderosos do mundo é instrutivo. Revela as tendências globais, as contradições e as vulnerabilidades das elites da moda. É por isso que eu decidi oferecer a minha lista muito pessoal e subjetiva de algumas dos grandes hipócritas de 2009.

1. Banqueiros.
2. Tony Blair.
3. Os homens líder do Partido Republicano.
4. Os juízes britânicos que emitiu o mandado de Tzipi Livni.
5. Lula da Silva. 

O Presidente do Brasil declarou que Hugo Chávez é o melhor presidente da Venezuela dos últimos 100 anos. Nunca ouvimos Lula falar das condutas autoritárias do seu amigo venezuelano, mas temos visto atacar furiosamente as recentes eleições em Honduras. E na mesma semana recebeu Mahmoud Ahmadinejad com todas as honras, cuja vitória eleitoral também é questionada. O que tiveram as eleições no Irã que as de Honduras? Tiveram uma enorme fraude, morte, tortura e brutal repressão ordenada pelo governo de Ahmadinejad. O afável líder brasileiro parece não haver tomado conhecimento.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Discussões ideológicas e mundo real

Tenho ouvido e assistido muitas discussões de caráter ideológico, distanciadas do mundo real. Têm-se discutidas expressões como ideologia de gênero, homonormalidade e outras como realidades, mas que se elas se tornarem realidades poderão causar muitos desastres. Lembro-me do Khmer vermelho cambojano. Algo semelhante poderá acontecer na Venezuela.
Estas discussões ideológicas, desprezando aspectos biológicos necessariamente levarão a um processo de desorganização.  
A minha formação profissional vem da Etnologia cujas pesquisas de campo foram diretas a pequenos grupos sociais.
Há uns 10 anos eu fui surpreendido ao ouvir expressões hoje chamadas homofóbicas numa visita a um grupo guarani. Pouco antes conversando com uma colega me contou uma experiência semelhante. Numa pesquisa  posterior notei uma queda populacional e um crescimento no número de nascimento. Também houve uma diminuição da mortalidade infantil em face do trabalho de assistência à saúde.
Malinowski, em um dos seus trabalhos enumera as necessidades básicas e uma delas é a procriação. É a procriação que garante a sobrevivência dos grupos humanos. Para procriar é necessário que haja uma mulher e um homem. Pelo que acontece em todos os grupos humanos, pelos que eu conheço e pelo que a literatura nos ensina, há um arranjo de espaços sociais que cada um dos membros – pessoas, grupos, etc. - da sociedade ocupa, a estrutura social. As relações entre estes diferentes espaços, mostra-nos com o grupo  social se organiza. A organização social. Homens e mulheres, crianças, adultos, idosos ocupam espaços delimitados e os espaços principais são a divisão por sexo. Nas sociedades mais simples há uma divisão sexual do trabalho. Nas sociedades mais complexas inicia-se uma divisão social do trabalho.
Nos grupos guarani que estudei, por exemplo, havia uma divisão sexual do trabalho na fabricação de seus instrumentos que se tornaram de interesse artesanal para a população nacional. Para a fabricação de arcos, por exemplo, os homens tiravam a madeira e preparavam para torna-los em arcos e as mulheres trançavam dos fios para fazer a corda do arco. Com o aumento da produção os homens começaram a trançar a corda para ajudar as mulheres. O mesmo aconteceu com a fabricação de cestos. Fui testemunha do início da divisão social do trabalho.
Em nossa sociedade, com a participação mais efetiva das mulheres, a divisão social do trabalho embaralhou a identidade de atividades exercidas por homens e por mulheres. Quando eu cursava a faculdade pegava sempre ônibus da mesma linha e com o tempo tornei-me conhecido dos motoristas. Nesta época (década de 60) a CMTC[1] contratou as primeiras mulheres motoristas. Uma conversa recorrente com os motoristas era de que às mulheres coube dirigir os ônibus “roda mole” (direção hidráulica) e aos homens os de “roda dura” (direção mecânica, mais pesada). A linha que eu usava só havia ônibus “roda dura”.  Nesta mesma época a CMTC começou a trocar a sua frota por ônibus mais modernos e certamente homens e mulheres começaram a concorrer a mesmas escalas de motoristas.
Logo após houve a incorporação da Guarda Civil à então Força Pública – atual Polícia Militar - e as mulheres de graduação mais baixa da Guarda foram incorporadas como terceiros sargento da FP.
Se de um lado socialmente homens e mulheres podem fazer praticamente tudo, não devemos esquecer as diferenças biológicas.
Mesmo homens e mulheres poderem fazer praticamente tudo, mas fazem mantendo as suas identidades de sexo. A identidade de gênero é resultante do sexo biológico.  Portanto o conceito de homonormalidade é enviesado, pois a normalidade é a heterossexualidade. O normal é o padrão. O que estiver fora da normalidade é anormal. Qualquer estudante de estatística aprende isto.
A distribuição probalística da normalidade é cerca de 70% da totalidade. Para uma projeção demográfica é esta faixa que deve ser considerada. Nas discussões recentes da reforma previdenciária poucos e falou destas projeções. Verificando as projeções para 2050 no Estado de São Paulo a previdência será insustentável. A variável biológica não poderá ser descartada, como vemos nas discussões atuais…
Estatisticamente a homossexualidade será tolerada até uma faixa de 15% num lado da curva de Gauss (curva do sino) e os machistas ferrenhos nos outros 15% do outro extremo.  Mas falar em homonormalidade...
Estava escrevendo estes apontamentos e estava lembrando de Thomas Sowell, no seu Os Intelectuais e a Sociedade, comenta dos intelectuais que desprezam o conhecimento mudando (o mundo empírico) provocaram muitos desastres sociais econômicos e outros. Um exemplo é a crise que ora experimentamos.







[1] - CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos da Prefeitura paulistana. 

sábado, 14 de outubro de 2017

Ser professor

Apesar de ser filho de professora e irmão de três professoras, nunca pensei em se professor. Eu era radiotelegrafista numa estação no interior onde fazia escala o avião do CAN (Correio Aéreo Nacional). Eu tinha 22 anos. Entre os passageiros de um voo do CAN  havia um que diferenciava-se dos demais passageiros, quase todos com características de caboclos do Brasil Central:  alto, loiro, cabelo curtinho e falava inglês. Perguntei a um dos sargentos da tripulação “quem é este cara aí?”. É um antropólogo, respondeu. E o que ele faz? quis saber. Ele vai numa tribo do Xingu, faz perguntas para os índios, anota, volta para o país dele e escreve um livro, respondeu o sargento.
Encasquetei: vou estudar antropologia. Lá do interior de Mato Grosso transferiram-me para Curitiba e fui fazer o 3º ano do colegial e procurei saber onde eu poderia estudar antropologia. Fiz vestibular, fui aprovado no curso de História Natural. Tinha aulas de botânica, petrografia, biologia e nada de me ensinarem conversar com índios, anotar e escrever livros. Fui descobrir que o que ensinavam era antropologia física no segundo ano. Mas poderia escarafunchar os sambaquis do litoral do Paraná. Fiquei em Curitiba nos anos de 1961 até 1966. Período difícil. Parei com o curso de História Natural até que soube de um  curso de Sociologia, Política e Administração Públicas ligado a agora Universidade Católica do Paraná. Como a situação política em Curitiba não estava muito favorável para mim resolvi retornar a São Paulo e terminei o meu curso da Sociologia e Politica de São Paulo e em segui fui fazer o meu pós da USP. Foi quando começavam a surgir as primeiras faculdades particulares. Tive um colega de curso, tornamo-nos amigos e ele me convidou para lecionar em Mogi da Cruzes. Foi uma beleza! Primeiro financeiramente. Segundo por começar a aprender a ser professor. E a fazer pesquisa entre os índios guarani do litoral. Aproxima-se a meio a século o dia que entrei pela primeira vez numa sala de aula, como professor e de antropologia.  Em março passado fez 47 anos.
Quantos alunos passaram por mim? Não tenho a mínima ideia.  Tive turmas com 150, 200 alunos. Parecia mais um conferencista do que um professor. Passei por situação difíceis, como por duas vezes sentei no braço de  carteiras e elas vieram. Levei tombo com plateia. Certa vez fui fazer uma palestra no fórum de uma cidade do interior e a plateia olhava de maneira esquisita para mim. Olhei para a minha roupa e estava tudo certo, não aparecia nada que não deveria aparecer. Perguntei o que estava acontecendo e me falaram  que o gradil que separava a plateia do fórum ao local onde ficava o juiz poderia cair. Eu estava encostado nela. O melhor momento que passei neste aprendizado de ser professor foi no Amazonas, com relação à distância social. Em outras palavras, não existe distância social do professor em relação aos diferentes estratos sociais.
No decorrer da nossa vida profissional passamos por dissabores, com a diversidade de alunos de péssima formação, mas presos por modelos políticos, religiosos, etc. Hoje, fora da atividade docente e com as redes sociais, é comum alunos comentarem a respeito de alguma orientação, alguma resposta, despercebida para nós, mas crucial para os alunos. E ficamos felizes quando encontramos de graduação que hoje são doutores, pós-doutores.
A responsabilidade do professor é medida em longo prazo. É uma profissão de vida com resultados conhecidos quando não haverá mais meios de corrigir erros.
Eu me tornei professor por acaso, mas me orgulho por esta profissão que exerci por quase meio século.
Um abraço aos meus colegas de profissão.

Mauro Cherobim (15/10/2017)

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Os dois lados da censura.

Tenho lido postagens a respeito de um programa da TV Globo com a participação de artista que criticavam a censura à arte.  O foco foi a censura a duas exposições, o Qeermuseu em Porto Alegre e a demonstração no MAM.
 A minha opinião sobre arte não tem qualquer relevância e por isto nem deve ser considerada, mas como cidadão eu me sinto confuso com tantas declarações contraditórias e desbaratadas. Costumamos associar censuras atos impeditivos, formais, oriundos do poder politico instituído. Existem censuras informais que este mesmo poder político exerce a partir de pressões políticas, econômicas e outras. Também se censura através de processos jurídicos. Há, ainda, outras formas, como a mais recente, que se chamou de “assassinatos de reputações”.
 Apesar de não ter assistido este programa da TV Globo, chamou-se a atenção que o líder deste movimento contra a censura às artes e o cantor e compositor Caetano Veloso e a sua (ex-) esposa  Paula Lavigne. O que me surpreende é perceber que este casal não é contra a censura, mas sim contra a censura que atrapalha os seus interesses e a favor da censura a favor dos seus interesses.
 Biografia não autorizada.  Biografia autorizada não é biografia. É marketing.
 A censura é boa quando atende aos nossos interesses e ruim quando  os contraria.

sábado, 30 de setembro de 2017

E nós cada vez mais caretas

O caráter político das exposições.
Hoje eu postei no meu perfil um comentário a respeito da exposição do MAM onde pergunto se “arte pedófila” é arte. Pela legislação, antes de ser arte é crime. Muita gente está condenada e presa por muito menos do que as exposições do Qeermuseo Santander e do MAM apresentaram. Estas exposições, além do mais, promovem a erotização e que tendem a levar à criminalização do nu. Vê-se isto em muitos comentários.

Olhemos isto de fora. A exposição qeermuseu Santander abriu as portas em agosto. Lula foi condenado em 12/07/2017 e já tinha depoimento marcado para 13/09/2017. O MBL jura de pés juntos que a denúncia inicial não foi dele, mas para não ficar de fora entrou no jogo condenando a financiamento através da Lei Rouanet, A “descoberta” da exposição coincidiu com o depoimento. Logo a seguir, apara atiçar a fogueira o secretário da cultura de Minas Gerais declarou que levaria a exposição para lá. O governo mineiro está mergulhado em denúncias e além de petista é ligado à ex-presidente Dilma.

O Tribunal da 4ª Região em Porto Alegre estuda o processo de condenação de Lula e estima-se que até o mês que vem (outubro) ele poderá nova condenação em Curitiba. Eis que aparece a exposição do MAM aqui em São Paulo. As exposições estão fazendo um barulhão que abafa a Lava Jato.

E nós ficamos mais caretas com estas discussões moralistas.

São dois jabutis em cima de um poste.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Desejo de renovação

As revistas semanais deste final de semana e do final da semana passada bateram numa tecla só: do novo. Uma nova política, novos partidos, nova forma de gestão pública, e por aí vai: tudo novo. Mas como se as cabeças são velhas? Esta foi a proposta do governo que assumiu em 1964. Naquela época ainda estávamos sob os ventos da guerra fria. Primeiro mundo, os democratas; segundo mundo, os comunistas; terceiro mundo uma procura por “donos”. Lutava-se contra uma ditadura para substituí-la por outra.

Quem eram os generais que assumiram o poder em 1964? Eram os tenentes da década de 20. Quem eram estes tenentes? Eram os alunos e alunos dos alunos dos positivistas que derrubaram o império e desejavam instituir uma ditadura militar imbuídos de um positivismo trazido pelo Imperador Pedro II.

Quem os generais de 1964 derrubaram? Os “parafascistas” criados e alimentados por Getúlio que se diziam comunistas e/ou sindicalistas. Esta gente aparelhou as universidades para formar gente alienada que está alienando as crianças a partir das primeiras letras.

Como partir para uma nova formulação política, cultural, se as cabeças são velhas, carcomidas por teias de velharias longe  das realidades atuais.


Como renovar no meio de tanta decrepitude? 

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Política e pitacos

Com as redes sociais todos nós nos tornamos enunciadores de pitacos. Pitaco é um termo que ainda não foi dicionarizado e lá no “Santo Google” encontrei uma explicação: é “sugestão sem muito fundamento ou de gente intrometida que nada entende sobre o assunto em questão”. Esta explicação é a mesma de palpite, nosso velho conhecido. O pessoal que gosta fazer a sua fezinha no jogo do bicho passa o dia atrás de pitacos. Isto é, palpites.

Como estava falando, nós nos tornamos pitaqueiros sobre política, divididos em dois grupos principais: “Lula na cadeia” e “Lula é perseguido político”. Mas Lula nunca é preso e ninguém acredita que Lula seja perseguido político.

Comecei a escrever este pitaco inspirado num afirmação de um comentarista de que os políticos do Executivo e do Legislativo não pensam em outra coisa além do medo de acordar com a polícia federal nas suas portas. A porta que abrir encontrará um PF do outro lado.

Como todo brasileiro mal informado aventurei-me a dar pitacos sobre política, Mal informado porque os jornalistas atuais estão, necessariamente, engajados numa corrente política atual.

Tempos atrás, quando Cristina ainda governava a Argentina ouvi de um comentarista que aquele país não era para amadores, mas para profissionais. Assim mesmo... Mas o Brasil, do jeito que as coisas estão, nem para profissionais. A nossa história (tradicional) era uma epopeia de feitos memoráveis dos nossos heróis históricos; Anhanguera, Raposo Tavares, dentro tantos. Fala-se da esperteza da derrota que D. João VI aplicou nos franceses, deixando-os em depressão profunda, por não encontrarem um patacão em terras lusas. Trouxe até dona Maria Louca. Na volta à metrópole deixou o filho governante em uma mão na frente ou atrás, pois a riqueza retornou junto. A riqueza é do dono do poder. O poder era o monarca. E assim passamos pelo império e chegamos na república.

Fez-se festa no dia 01/06 por ser o primeiro dia que o nosso salario era somente para a nossa sobrevivência. Surpresa! Lá estavam as mesmas mercadorias, algumas com o mesmo preço e outras com preços mais elevados. Todas com os impostos embutidos. E Dória fazendo sorteio de um milhão para quem exige notas.

Conversando com um amigo na Amazônia, há quase cinco décadas, ele tinha uma empresa sem registrar para não pagar impostos e reclamava que não consertavam as estradas. Se você não paga impostos como o governo vai consertar as estradas? Ora, o governo faz o dinheiro e dinheiro público não tem dono. É publico; é de quem chegar primeiro.

Nesta mesma conversa perguntei a respeito de um comerciante se havia mudando de ramo para o de construção dada a quantidade de telhas no seu depósito. A explicação é que ele havia feito um negócio com “sobra” de telhas. Mas “sobrou” mais material. Outro meu amigo me mostrou várias casas com um mesmo tipo de telhado, feito pelo carpinteiro da prefeitura (sabia fazer somente um tipo de telhado e lá deixava a sua “marca registrada”). Todas construídas com “sobra” de material.

Lembrei-me deste caso na delação da esposa do marqueteiro do PT quando ela falou que a ex-presidente mandou que ela transferisse o dinheiro da Suíça para Singapura. Ela chegou antes e se apoderou do dinheiro público, ainda “sem dono”. Mas chegou à Suíça com dono. Isto é, dona.

De uns tempos para cá surgiu uma parte da justiça de caráter avarento: está perseguindo estes “sortudos” que chegaram na frente para se apropriar deste dinheiro público, Isto é, sem dono. Funcionários insensíveis e avarentos estão querendo se apoderar destes dinheiros sem donos espalhados pelo mundo afora. Estes funcionários avarentos estão se associando a funcionários também avarentos para que a este dinheiro seja reconhecida a sua propriedade, o público.

Os ex-sortudos estão sofrendo uma transferência compulsória para Curitiba.

Há uns três das atrás fui num cartório para encontrar um amigo para preparar uma documentação. Como ele lê os meus pitacos, perguntou: Professor, o senhor que sabe das coisas (saber das coisas numa regime autoritário é perigoso!), a chapa de Dilma e Temer será cassada? Disse-lhe que a única coisa que me dava uma relativa e cuidadosa certeza é que daqui a pouco vão chamar para entregar o documento autenticado, mas do que acontece em Brasília... Mas certamente Temer não irá cair. Parece-me que é a isto que o processo está indicando. Pelo menos neste processo. Mas...





segunda-feira, 27 de março de 2017

Quem tem, tem medo...

Medo da Lava Jato? Claro, quem deve teme. Até Lula que está a tremer até nos fios do bigode. Até talvez esteja o motivo de a (grande) imprensa deixar as manifestações passarem às brancas nuvens. Até os MAV (militantes do ambiente virtual) passaram mais calados do que canário na muda.

Ontem não vi nada na TV a respeito das manifestações a respeito da Lava-Jato. Os jornais de hoje também se calaram. Hoje estive procurando os sites do Estadão, da Folha, da Veja e não vi quase nada a respeito das manifestações, a não ser algum artigo sem qualquer destaque. Procurei algo nas revistas semanais (Veja, Época e Isto É) e não encontrei comentários a respeito das manifestações em defesa da Lava Jato. Mas na três revistas lá estavam propagandas de página inteira da FriBoi, da JBF, da Seara, da indústria automobilística, dos grande bancos, e até do BNDES nas páginas da Época e da Isto É.

Bem, por que este silêncio? Medo? Tudo indica que sim. A começar pelos políticos. Todos eles que têm os seus nomes ligados às investigações sabem que avançaram o sinal. Os MAVs (Militantes do Ambiente Virtual) que se arriscam a aparecer desculpam os envolvidos que antes do PT também havia corrupção. Havia. Claro que havia. Mas com uma diferença: a corrupção de agora foi institucionalizada e desta forma do PT e os seus partidos aliados agiram de forma de contrariar os seus motes de campanha, de suas juras de defesa à empresas das empresas estatais. Ao invés de defenderem quebraram estas empresas. Petrobras, Eletrobras, e outras. Forçou o BNDES a ceder financiamento para empresas para capitalizá-las com o objetivo de dominar o mercado, como fez com a JBS. Quebraram o Estado para financiar empresas particulares, apesar de jurarem, de pé juntos, que são de esquerda.

Claro que dá para se entender de esta gente ser contra a Lava Jato e outros juízes, procuradores e policiais federais que investigam esta bandalheira que hoje conhecemos. Mas o que conhecemos, nós, brasileiros, não deve chegar a 1% do que já foi levantado. Os dados devem estar seguros em diferentes locais. A informática permite isto. Os investigadores sabem disto, melhor do que nós, pois quando a Lava Jato estava iniciando houve inicio de incêndio na sala contígua à sala de onde estavam as informações das investigações. A informação foi que o incêndio foi acidental. E se não tivesse sido?


Existe um ditado popular que diz que quem tem, tem medo. Como todos têm, imagine-se o medo dos que têm dívidas a pagar (27/03/2017).

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O Brasil precisa retornar ao século XXI



A imprensa brasileira (não que me estender à imprensa de outros países. Cada um tem a sua) reflete pertencer a um país de raiz autoritária. O CENIPA apresentou um projeto de lei para que as investigações sobre acidentes aeronáuticos fossem sigilosas. O projeto se tornou lei e ninguém saberá por que uma aeronave se acidentou. Para ficar num acidentes recente, da aeronave da Air France que se acidentou no meio do Atlântico a imprensa agiu livremente, ao contrário da aeronave que os rebeldes pró Rússia derrubaram na Ucrânia. E parece que trabalhou livre no desaparecimento daquele voo entre a Malásia e a China.

Há uma expressão na aviação de que um avião não cai. É derrubado. Até um King Air dito como um dos mais seguros na aviação de pequeno porte. Qualquer aeronave seja um teco-teco, um ultraleve, até um Airbus 380 ou mesmo Antonov Mriya An-225, maior avião do mundo, decolam, pousam, e estão sujeitos a cair no meio do caminho.

Num acidente com automóvel podem morrer até cinco pessoas e com um ônibus chama mais a atenção porque morre mais gente e numa aeronave de grande porte podem morrer 300 ou mais pessoas. Estes incidentes (o termo é meio leve, eu sei!) fazem-nos esquecer de quantas pessoas morreram entre um acidente aeronáutico e outro. Só para comparação e para lembrar, até hoje se fala das centenas de mortos do Titanic, mas pouco se fala dos três mortos do Costa Concórdia. Não deveria morreu ninguém. As investigações são feitas para evitar que alguém venha a morrer num acidente.

No caso dos acidentes aeronáuticos. Tirando Ícaro, o homem começou a alcançar a voar no século XIX. De balão. Segundo Rocha Pombo (um morretense como eu. Que bairrismo!), a primeira observação aérea numa guerra foi ideia de Caxias (Luís Alves de Lima e Silva), a partir de um balão alçado além do alcance de tiro das garruchas paraguaias.  Santos Dumont com os seus estudos de aerodinâmica e a partir daí chegamos no que é a aviação de hoje.

Mas os aviões ainda são derrubados. O que os derrubou? Todos nós somos passageiros em potencial de um avião e temos o direito de saber o motivo de uma queda. Algumas vezes a causa da queda está em terra e sem a mínima noção de ter sido a causa. Já que falamos do Air France. Descobriram que a causa foi o congelamento de uma peça que mede a velocidade do avião. Quem iria imaginar? A investigação descobriu e o tipo entrou na lista de checagens e assim não derrubará mais nenhuma aeronave. Uma pecinha vagabundinha, como se dizia Joaquinzinho Leite, no meu tempo de guri, na oficina mecânica lá em Morretes. Num dos retornos do meu filho para a Inglaterra na hora de checagem antes do voo descobriram um probleminha no pitô.  O voo atrasou 24 horas e a empresa ainda pagou uma indenização de 500 libras para compensar o seu prejuízo. Esvaziar o bolso dos faltosos é a pena eficiente. Muito eficiente.

Logo após o acidente de Parati comentei que todos nós somos mortais e quando assumimos determinadas responsabilidades teremos que nos preocupar com a nossa segurança, pois a nossa incapacidade costuma atingir outras pessoas. É o caso do Ministro Teori. Quantas pessoas estão desempregadas, quanta gente morreu em portas de hospitais, quanta gente sofre por causa da insegurança pública, etc., em decorrência da corrupção que aflige o país? Ele sozinho tocava uma investigação com centenas de processos contra corruptos de alto coturno, liderados por um ex-presidente e uma ex-presidente. Sozinho! E o que fazia este senhor numa aeronave de pequeno porte que tentava pousar num aeródromo complicado pelas condições topográficas e atmosféricas? Procura-se fazer uma investigação. Mas o acidente aconteceu num país em que as investigações são secretas por decisão da uma presidente que foi “impeachmentada” (tentei aportuguesar. Não sei se deu certo!), dona de um perfil autoritário.

Fato primeiro: um avião caiu e entre os seus passageiros havia um Ministro do STF, relator do maior processo de corrupção cujos réus eram pessoas dos mais altos coturnos, um empresário proprietário da aeronave e dono de uma rede de hotéis de luxo. E duas mulheres convidadas pelo proprietário da aeronave. Além, é claro, do piloto. Fato primeiro A: explodiram as teorias da conspiração e os autores da queda eram os corruptos investigados. Fato primeiro B: misoginia (as mulheres também são misóginas). As mulheres passageiras foram transformadas em garotas de programa. É complicado ser mulher numa sociedade misógina. O martelo das (para castiga-las) feiticeiras ainda está presente neste século XXI.

Quais foram as causas da queda da aeronave? Por obra e graça de dona Dilma não vamos saber. E como ficará a Beechcraft, a fabricante da aeronave? E os milhares de proprietário de aeronaves do mesmo tipo da que se acidentou? E os pilotos que frequentam o aeródromo de Paraty?

O Brasil precisa retornar ao século XXI.


Dos primeiros 17 anos do século XXI, treze e meio anos estivemos com a macha ré ligada, pé no acelerador num retorno à baixa idade média.



O site é humorístico, mas a foto é verdadeira.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

As responsabilidades funcionais e a nobreza dos juristas.

Logo após o acidente que vitimou o Ministro Teori postei uma crítica às teorias da conspiração que corriam soltas nas redes sociais. Usando uma expressão muito divulgada na época do impeachment de Dilma Rousseff, o “conjunto da obra”, isto é, o conjunto de circunstâncias mostrava levava-nos a conclusão de um acidente aeronáutico. Mas isto é trabalho dos peritos em acidentes aeronáuticos do Comando da Aeronáutica.

O que eu gostaria de comentar e com todo o respeito de devemos ao Ministro Teori, esta sua viagem para Parati, local com condições atmosféricas complicadas e perigosas para aeronaves de pequeno porte, faltou-lhe um pouco de senso de responsabilidade. Não só dele, mas também e principalmente para o seu amigo, proprietário da aeronave. O Ministro era responsável por um processo que envolve a vida de milhares de pessoas que dependem das empresas envolvidas nos processo de corrupção em análise e também das questões que levaram o Brasil às crises econômica e política pelas quais passamos. Da mesma forma, o empresário proprietário da aeronave e amigo do Ministro, pelas notícias que tomamos conhecimento, tocava os seus negócios com mão forte e a sua empresa por uns tempos ficará acéfala. A sua morte afetará a empresa e aos seus funcionários.

Atendo-me à administração pública, os funcionários com alta carga de responsabilidades deveria sofrer restrições  de locomoção e as responsabilidades deveriam ser compartilhadas.

Pelo que lemos na imprensa, a Ministra Carmem Lúcia deverá assumir as responsabilidades deixadas pelo Ministro Teori, mas não a memória do processo, pois esta morreu com ele. A memória, a que me refiro, são os nexos entre um fato e outro.

Sem querer comprar briga com os meus amigos da área jurídica. Um mundo essencialmente ritualizado. O tratamento de doutor provoca um distanciamento social entre a população desta área e as pessoas comuns. O título de tratamento transforma-se num prenome como se fosse um título nobiliárquico. Este sentimento de nobreza dificulta mudanças porque o rito se torna razão de ser. E por fim, não devemos nos esquecer que os nobres também são mortais.


Enquanto se discute teorias de conspiração, o busílis do problema fica de fora.  

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Nós somos mortais


Na minha percepção (até posso estar errado) esta questão de conspiração é besteira, mas como somos mortais temos que levar isto em consideração.

Eu sou do tempo da aviação arco e flecha. Naquele tempo havia uma expressão que dizia que avião não cai; é derrubado. E havia três causas principais que derrubavam um avião: problemas mecânicos, problemas atmosféricos e problemas humanos. Estas três causas sempre estão associadas.

Do meu tempo para hoje, relativamente tem caído menos aviões, pois o número deles é cada vez maior. Como também é bem maior o número de altas autoridades voando pelos céus do mundo. Outro dia o Presidente Temer foi a Portugal ao velório de Mário Soares e voltou em seguida. Lula vivia voando pelos céus africanos e da América Central fazendo palestras. E que palestras!

Existem abusos e alguns descuidos. Outro dia estava vendo (num vídeo) a investigação acerca de um acidente de uma aeronave com pane seca (falta de combustível). Uma empresa americana adquiriu um Airbus no Canadá. Os padrões de volume nos EUA e na Europa são diferentes. Pelos instrumentos do caminhão tanque o avião estava abastecido, mas o a quantidade de combustível não era suficiente para o voo. No caso do avião da Varig que caiu na Amazônia, uma vírgula colocada na direção do voo, talvez por descuido do comandante e/ou do copiloto, o avião ao invés de ir para nordeste foi para oeste.

O litoral sul do Estado do Rio e o norte de SP são sujeitos a muitas variações  atmosféricas e isto tem causados alguns acidentes com aeronaves de pequeno porte, e o mais conhecido foi o que matou Ulisses Guimarães.

Além disto, estes centros de análise de causa de acidentes, como é o CENIPA, no Brasil, são de interesses não só para perícia judicial, mas de descoberta de características técnicas que se evidenciam num momento especial e que foram despercebidos nos testes de fabricantes, simuladores de voo, etc.

Há outro fator que se deve levar em considerações. No caso do Ministro Teori, por exemplo. Ele era responsável pelo processo da Lava Jato no STF e isto o tornava portador de uma memória não compartilhada, e com isto todos os nexos entre um caso e outro. Nós não somos eternos, somos mortais. Quem assumir no seu lugar talvez venha a reinterpretar tudo o que o antecessor sabia. Não falo em desonestidade.

Da mesma forma, não vi e nem li nada que falasse em comandante e/ou copiloto. Parece que havia somente um piloto. E se der um “piripaque” neste piloto? Será que não foi isto o que aconteceu com as queda desta aeronave em Parati? A necropsia do piloto deverá ser feita com muita atenção.


O CENIPA não é órgão político; é um órgão técnico. E a  Beechcraft Corporation já deve estar com representantes para acompanhar as investigações. E assim é no mundo todo. Existem tratados internacionais. O que deve ser pensado é de um cargo como o do Teori deveria ter um copiloto. Pensar como se nem o avião tinha copiloto?

sábado, 26 de novembro de 2016

Cuba depois de Fidel

Fidel Castro foi a imagem viva do castrismo cubano. Cuba é um país que sempre viveu sobre regimes ditatoriais. Estão na memoria histórica os regimes de Fulgencio Batista e de Fidel Castro, incluído aqui o de Raul de Castro. Fulgencio assumiu o poder em 1933 numa “Revolta de Sargento” em que nomeou a si mesmo chefe das forças armadas, com a patente de coronel. Manteve o controle de presidentes fantoches até que em 1952 concorreu às eleições, foi derrotado e deu um golpe de Estado. Em 1959 o regime de Fulgencio foi destituído, mas ele já havia deixado Cuba no ano seguinte.

Não deve existir um cubano que tenha vivido fora de um regime autoritário. São 83 anos desde a Revolta dos Sargentos de Fulgencio Batista até hoje, a morte de Fidel Castro. O que seria democracia para os cubanos atuais? Seria a Cuba de Fulgencio, que Fidel declarava que se tornara um cassino de proprietários norte americano. E a oposição aos EEUU cresceu no caso da instalação dos misseis da União Soviética. Fidel foi hábil ao administrar esta contradição.        

O que representará a morte de Fidel para o mundo? Tenho ouvido e lido na imprensa. Nada mais do que uma página da história. Talvez alguma coisa a mais na esquerda latina americana que já se sente órfã de Fidel. O que devemos pensar como será Cuba com a morte de Fidel e a aposentadoria de Raul.

A ditadura de Fidel foi uma ditadura militar e todas as participações de Fulgencio foram quarteladas, iniciando com a revolta dos sargentos. E a historia nos tem mostrado que as ditaduras militares não dão certo de a “nomeklatura” cubana é militar. Raul Castro “fardou-se” para comunicar o falecimento do irmão Fidel. Um presidente “nomeado” que já fala em aposentadoria. O que e como representará, daqui para frente esta falada abertura a turismo norte americano, quando os interesses “privados” cubanos estão nas mãos de militares? E como estão sendo as articulações para a sucessão de Raul Castro? Como será Raul um presidente aposentado sem o carisma de Fidel?

Nós brasileiros poderemos nos perguntar: a fortuna que os governos Lula e Dilma enterraram em Cuba terá retorno? Foi um investimento ou foi um presente? Nós ficamos com a crise econômica. Um presente como a doação do estoque regulador de feijão “ao povo cubano”, enquanto que o povo brasileiro está comprando feijão em pacotinhos de meio quilo?


Uma curiosidade: uma minha amiga comentou que a sua cunhada quando vai a Cuba fica hospedada na casa de uma família cubana. E comenta como os cubanos vivem bem. Lembrei-me deste comentário quando a correspondente da TV Globo deu a notícia do falecimento de Fidel. Segundo ela, estava hospedada com uma família cubana, mostrou imagens da casa  e dos familiares consternados com a morte do comandante. Um eficiente meio de controle. Como serão os herdeiros dos Castros atuais (os Castros futuros)? 

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Cinco hipócritas de 2009

No mês que vem este texto completará sete anos. Moisés Naim costumava publicar anualmente os cinco maiores hipócritas do ano no jornal El País da Espanha. Em 2009 Lula foi um dos cinco hipócritas mundias. Hoje ele pratica o seu jus esperneandi para escapar da prisão. O analista estrangeiro enxerga com maior clareza o que, para nós, que por anos permanecemos sob uma carga de blogs e militantes comprometidos (ideologicamente?) com os crimes praticados por ele e por sua sucessora, descobertos pela justiça federal.



Moisés Naím
Cinco hipócritas de 2009
Moisés Naím 20/12/2009
Rever algumas das mais flagrantes hipocrisias dos poderosos do mundo é instrutiva. Revela as tendências globais, as contradições e as vulnerabilidades elites da moda. É por isso que eu decidi oferecer a minha lista muito pessoal e subjetiva de algumas dos grandes hipócritas de 2009.
1. Banqueiros.
2. Tony Blair.
3. Os homens líder do Partido Republicano.
4. Os juízes britânicos que emitiu o mandado de Tzipi Livni.
5. Lula da Silva. O Presidente do Brasil declarou que Hugo Chávez é o melhor presidente da Venezuela dos últimos 100 anos. Nunca ouvimos Lula falar das condutas autoritárias do seu amigo venezuelano, mas temos visto atacar furiosamente as recentes eleições em Honduras. E na mesma semana recebeu Mahmoud Ahmadinejad com todas as honras, cuja vitória eleitoral também é questionada. O que tiveram as eleições no Irã que tiveram as de Honduras? Tiveram uma enorme fraude, morte, tortura e brutal repressão ordenada pelo governo de Ahmadinejad. O afável líder brasileiro parece não haver tomado conhecimento.
Leiam aqui o texto completo:http://elpais.com/diario/2009/12/20/internacional/1261263607_850215.html